Terça-feira, Janeiro 23, 2007

Estou cansado
Quero ir embora daqui. E me pergunto se ainda existe algum lugar onde chegar.

Publicado por Panthro Samah em 1:49 AM
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Sábado, Janeiro 13, 2007

Trechos de um diário fictício

27 de dezembro de 2006

Querido diário,

Não sei se vou sobreviver à Belém. Essa cidade é quente demais e me sinto culpado todas as vezes que ligo o ar-condicionado. Não sei porque tenho que continuar nesse Inferno Verde. Não, eu sei. Minha família mora aqui. Mas eu me pergunto: por quê? O que leva um ser humano a viver nesse lugar esquecido por Deus e pela prefeitura??

É isso, diário. Se não receber mais notícias de mim é porque derreti até a morte.

Panthro
Inferno Verde

28 de dezembro de 2006

Querido diário,

Família boa é família à distância. Cada vez mais me convenço disso. Eu adoro minha mãe e meu pai, mas eles são loucos! E se eu pareço louco é porque você não os viu.

Pra começar que o papai embaralha tudo o que fala. É dificílimo conversar com ele porque ele muda de assunto na velocidade em que você consegue pensar em uma resposta pro que ele disse. Dessa vez, até a atual namorada de um cara que a mamãe paquerou nos anos 90 veio à tona. Mas só por alguns segundos, sendo afogado por divagações sobre a falta de necessidades materiais e a importância de um guarda-chuva ter cabo de madeira.

A mamãe vai pelo caminho oposto. Se o papai divaga sem controle, a mamãe tenta controlar até a quantidade de ar que vc respira. Dessa vez ela quis me aborrecer dizendo que o meu perfil no orkut era pouco profissional. Antes ela já tinha falado do meu cabelo pouco profissional, da minha roupa pouco profissional (caralho, ela quer que eu use terno nesse calor??) e da minha tatuagem que foi meu suicídio profissional.

Continuo tentando, querido diário. Mas pelo visto, além do meu corpo, querem derreter minha mente.

Panthro
Inferno Verde

30 de dezembro de 2006

Querido Diário,

Hoje eu saí pra comer pizza. Foi legal porque pela primeira vez eu comi uma pizza boa fora de São Paulo. Ou talvez fosse um delírio por causa do calor. A única coisa ruim foi o preço. Cobravam quase 30 paus por uma pizza de mussarela, um pouco inferior a que eu peço emcasa por 10 reais (incluindo a taxa de entrega). Mas estamos fora da civilização, então, o que fazer?

O mais engraçado é que essa cidade é um enorme simulacro. As pessoas usam terno e gravata nesse calor escaldante e suam como condenadas. Todos os luares gastam com ar condicionado extra pra que as pessoas possam usar calças jeans e casaco. Sim, casaco. É, caralho, casaco, tipo casaco de couro, jeans, essas merdas. Sim, o povo usa por aqui, pra aparecer.

Aliás, nada é mais importante nessa terra do que aparência. Se você parece alguma coisa, parece inteligente, parece bem-sucedido, parece feliz, é mais importante do que alguém que não parece. Ainda que a pessoa seja. Essa terra é a antítese da minha existência, eu vou acabar secando e morrendo. Nunca tinha entendido tão bem o significado de Blood Tears, do Blind Guardian, até agora.

Panthro
Inferno Verde

Publicado por Panthro Samah em 1:17 AM
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Quem somos

Nós somos uma caixinha de leite feliz e dançante!!
Na verdade, não. Nós somos alienígenas em busca de planetas interessantes para a colonização. Estamos fazendo um estudo com esse planeta, mas tudo indica que ele nunca terá sucesso. Ou talvez (e apenas talvez) nós sejamos um ser humano com sérios problemas de personalidade.

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