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Quinta-feira, Junho 23, 2005
Eu tenho medo de astrologia
Olha o que disseram sobre mim:
SOL EM ESCORPIÃO, ASCENDENTE EM ESCORPIÃO ¿ UM MUNDO DE EXTREMOS
Você, Panthro, é uma personalidade e tanto: quando nasceu, não apenas o Sol estava no signo de Escorpião, como também o ascendente. Isso lhe torna um ¿Escorpião típico¿, daqueles ¿de livro¿, com todas as qualidades e defeitos inerentes ao signo.
Com esta força escorpiana duplicada, quaisquer hesitações e ¿meios-termos¿ são varridos para o lixo: ou tudo, ou nada. Você tem uma natureza de extremos, dada a amores totais e ódios ferozes, e sua fascinação pela vida lhe leva a querer sorvê-la até a última gota, com pouco ou nenhum medo (ou temperança!). Toda esta tendência a extremos, Panthro, nasce de um impulso pelas transformações profundas. Você não quer esperar, e sim precipitar as mudanças, radicalizando tudo para que assim aquilo que não presta seja logo catapultado para o lixo... E o que presta seja exaltado ao máximo.
Você é uma pessoa orientada para crises, e sabe lidar com elas... Tanto as suas quanto as dos outros. Sabe muito bem como andar em terreno pedregoso, mas pode se tornar uma pessoa tão viciada em complicações e desafios que simplesmente perde o sentido de como saber andar em chão liso e em situações fáceis. O tempo e a vida lhe ensinam que nem tudo tem que ser uma guerra, e que é possível relaxar, não se armar tanto.
É interessante observar, Panthro, que o que muitas vezes está por detrás da famosa ¿agressividade escorpiana¿ é uma profunda sensibilidade. A pessoa aprende a atacar para não ser atacada. Mas no fundo o indivíduo escorpiano é um dos mais amorosos e dedicados tipos zodiacais, sendo capaz de sacrificar-se ao máximo por aqueles a quem ama. É dito, inclusive, que a fantasia secreta de Escorpião é dedicar-se ao máximo a alguém ou algo, e sendo este o signo do conhecimento do mistério da morte, há aqui também um total destemor. Se uma pessoa não teme a morte, nada mais pode amedrontá-la.
Precisa tomar cuidado com uma tendência a andar em círculos: quando o signo é igual ao ascendente, Panthro, a pessoa sente muita dificuldade em aprender. Um excessivo apego à própria personalidade pode lhe levar a uma dificuldade adaptativa séria, a ponto de você não conseguir entender nada dentro de um ponto de vista que não seja o seu. Isso pode lhe causar grande angústia e cansar as pessoas que com você convivem.
No positivo, você tem uma qualidade transformadora profunda, e muda tudo aquilo que toca. Ninguém sai de sua vida do jeito que entrou, pois você tem o dom de fazer alquimias, de fazer a lama transbordar, levando as pessoas a encararem suas fraquezas. Exigente consigo e com os outros, seu papel não é o de ser uma pessoa ¿mansa¿ e que ¿agrada¿. Seu compromisso é com a verdade e com a transformação do mundo. Dotada de uma personalidade magnética e atraente, fascinará os outros e exercerá sobre eles grande dominação. Pode ter um interesse natural pelos mistérios da vida e da morte, a biologia, a medicina, a psicologia e o ocultismo.
Publicado por Panthro Samah em 5:18 AM
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O sonho nunca morre
PS - Eu sei que a imagem está uma merda. Não achei a tirinha original, então copiei a tela.
PPS - o Post-it chegou!
Publicado por Panthro Samah em 5:16 AM
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Domingo, Junho 12, 2005
O armário hétero ou o spam da Jô
Por João Marinho
Não há dúvidas de que a sexualidade permeia boa parte da vida humana. Está presente nas conversas de bar, na literatura, nas propagandas, nas revistas, nas piadas, na moda e até nos púlpitos e altares, uma vez que a "moral sexual" é uma das preocupações hodiernas mais gritantes no entender de católicos, evangélicos e membros de um sem-número de outras religiões.
Apesar disso, freqüentemente nós, homossexuais, somos indagados sobre a necessidade que temos de assumir essa mesma sexualidade "todo o tempo". Muitos héteros e não-assumidos convictos (não me refiro, evidentemente, àqueles que estão em crise ou que não se assumem por motivos superiores à sua vontade) costumam dizer que "nossa vida privada não interessa a ninguém". É comum o argumento de que "nenhum homem (sic) precisa chegar e dizer sempre que é hétero. Por que um gay precisa dizer o tempo todo?".
Na verdade, essa discussão revela um profundo desconhecimento dos discursos sobre a sexualidade ¿ discursos falados, escritos e imagéticos. Certamente a heterossexualidade, em nossa cultura, é reafirmada e ratificada o tempo todo: cada vez que uma propaganda de cerveja mostra o líqüido acompanhado por lindas mulheres e homens embasbacados por elas; cada vez que um casal homem-mulher tasca um beijo na rua sem ser incomodado; em cada capa das centenas de revistas que temos, das de fofocas às de noivas, passando pelas masculinas ao estilo da Playboy; cada vez que o programa do Luciano Huck faz o concurso de rainha do Carnaval ou apresenta quadros como "Namoro às escuras"; cada vez que uma moça apresenta o namorado à família e cada vez que uma igreja realiza uma cerimônia de casamento.
Em todos esses momentos e em centenas de outros que poderíamos enumerar, a heterossexualidade, tida como modelo social, é continuamente afirmada: nem tudo o que dizemos, dizemos por palavras. Não admira, portanto, que os héteros não precisem verbalizar que são héteros: a abundância de símbolos, modelos e sinais que dizem isso é tamanha que a "declaração formal" se torna absolutamente desnecessária.
Costumo afirmar, exatamente por isso, que a orientação sexual, ao menos a heterossexual, quase nunca é uma questão privada, mas pública: ver um homem e uma mulher na rua, salvo algumas exceções, como no caso de visualizarmos homens efeminados, naturalmente evoca para as pessoas a idéia de que o "homem gosta de mulher", e vice-versa.
Esse automatismo somente é quebrado quando o gay ou a lésbica se declara assim. E, afinal, o que é estar no armário, senão apresentar-se publicamente como heterossexual, fazendo uso do ambiente que essa abundância de símbolos propicia? Ninguém poderia permanecer no armário, pelo menos este armário que conhecemos, se não existisse tal automatismo.
É muito interessante recorrer a uma metáfora pela qual costumo ilustrar essa situação: nossa sociedade é constituída como uma loja de sapatos que vende apenas um número, o 40, por exemplo. Quem sentirá necessidade de ir até o vendedor e reclamar que os sapatos estão apertados e a loja tem de começar a vender outros números: quem calça 40 ou quem calça 42?
A resposta é óbvia, e, nessa metáfora, somos nós, homossexuais (ou bissexuais), os que calçamos 42. Os héteros, que calçam 40, estão confortáveis: não somente porque os sapatos lhes servem, mas também porque a propaganda da loja, os cartazes, o anúncio da revista e os vendedores já estão preparados para atendê-los com toda a variedade de modelos que possuem.
Os héteros não precisam "declarar" que são héteros, porque calçar os sapatos já é o bastante ¿ a loja apenas espera que eles sirvam. Entretanto, é evidente que a propaganda, o anúncio, os vendedores ressaltam continuamente que a loja vende o número 40. Logo, pensar que os héteros não afirmam sua sexualidade é ser, no mínimo, inocente.
É interessante, inclusive, ver como o raciocínio que aqui apresento é capenga. Um homem hétero apresentar uma mulher como sua namorada é tido como absolutamente normal e corrente. Por que um homem gay apresentar outro homem como seu namorado é "expor a privacidade desnecessariamente, porque ninguém precisa saber o que fazemos entre quatro paredes"?
Os dois pesos e as duas medidas ficam claros, sendo que, em ambos os casos, existe invariavelmente uma afirmação da identidade e da orientação sexual que vem no pacote. A diferença é apenas que a primeira é aceita e a segunda não. Nesse aspecto, portanto, o que se esconde por trás do discurso da "privacidade homo" é simplesmente o preconceito (ou o autopreconceito), a dificuldade ou impossibilidade de se reconhecer a homossexualidade como legítima.
Alias, não legitimar a homossexualidade é também uma forma curiosa de afirmação hétero e, no que diz respeito à ala masculina, está relacionada a algo que denomino negação do corpo do homem. Defendo o conceito de que a masculinidade heterossexual é fortemente calcada nessa negação. A maneira com que ainda se educam os rapazes por aí leva o homem adulto a desprezar uma relação mais íntima e mais próxima com seu corpo e com os corpos de seus semelhantes ¿ e isso implica em um desprezo da homossexualidade como ratificação da condição heterossexual.
Vamos tornar essas ligações mais claras: no "meio" heterossexual masculino, qualquer coisa é motivo para se evocar, de forma depreciativa, a homossexualidade (ou, mais corretamente, o "homossexualismo", posto que o foco nem sempre é a sexualidade global, mas tão-somente o ato genital entre dois homens). Homens héteros muitas vezes pensam mais em "veados" do que os próprios gays. Uma olhada mais "demorada", um movimento mais "suspeito", uma declaração "mal colocada" e pronto: lá está o pessoal chamando o outro de "veado" ou fazendo alusão a nádegas e similares.
Uma das vantagens de ser homem, gay e assumido é exatamente ficar imune a essas brincadeiras. Algumas são mesmo engraçadas, e é claro que até nós, gays, brincamos com o que diz respeito ao sexo e à homossexualidade - e amamos falar de homem. A relação, entretanto, é diferente, a começar pela intensidade. Ademais, em nosso caso, brincamos com algo que nos é próprio, o que nos nivela e reforça identidades e práticas, na medida em que todos fazem de fato aquilo que brincam fazer (ou a maior parte de tudo aquilo).
No caso dos héteros, porém, a chave não é afirmativa, mas negativa. Brinca-se chamando o outro de "veado", mas espera-se que este outro negue. Quanto mais bravo ele ficar (coisa que não existe propriamente entre nós, gays), mais intensa e "gostosa" torna-se a brincadeira. E por que esse tipo de coisa se relaciona a uma negação do corpo? Porque, social e culturalmente, homens héteros, no aspecto mais geral, não podem se tocar, não podem achar o outro bonito, não podem se abraçar intensamente e nem demonstrar carinho com mais fervor entre si - exceto em certas "ilhas", como, por exemplo, o estádio de futebol.
De resto, tudo é jogado no "lago proibido" do "homossexualismo" ¿ e quem se atreve a questionar paga o preço, ainda que, felizmente, a modernidade tenha trazido por aí um número cada vez maior de homens héteros corajosos, que, não raramente, integram o "S" da sigla GLS. De qualquer forma, em muitos casos, substitui-se a falta de relação mais íntima com o corpo masculino pelas brincadeiras. Elas espelham não apenas uma carga de desprezo pelo "homossexualismo" que uma outra relação poderia desfazer, mas também uma reafirmação da heterossexualidade. Mais do que isso, elas também evidenciam um policiamento: homens héteros, salvo os corajosos a que me referi, passam boa parte do tempo provando e/ou dizendo para os outros que não são gays, ainda que tudo seja mascarado por "inocentes" piadinhas.
Dito isso, considero que eu, por meu temperamento, teria muita dificuldade, nesse aspecto, em ser hétero. Considero uma vantagem ser gay no sentido de poder beijar e abraçar meus amigos gays, sentar-me junto deles, deitar em seus colos. Isso, por si só, nada tem de interesse sexual imediato, pois nós, gays e assumidos, também o fazemos com as meninas. A diferença é que podemos aproveitar esse contato com ambos os corpos, o que nos ajuda a ter uma relação mais saudável e até mais plena com nossos próprios corpos.
Nesse ponto, devo esclarecer que este artigo não é uma apologia aos gays: claro que alguns (ou muitos?) de nós não têm esse tipo de consciência, e, além disso, percebo que o mesmo fenômeno se sucede às mulheres, sejam héteros, sejam lésbicas. Apesar de a educação dispensada a elas ter muito de ridícula (que o digam as feministas), nesse ponto tem um bom efeito. Mulheres fazem coisas incríveis juntas: vão ao banheiro em dupla, mostram novas estrias e celulites umas às outras, olham-se quando nuas, tocam-se, beijam-se e até arriscam-se a sair de mãos dadas, mesmo que sejam apenas boas amigas e heterossexuais. Não residiria justamente aí parte da "sensibilidade feminina"? No caso delas, fica ainda mais evidente que a questão que proponho não passa pelo contato com o objeto de desejo imediato.
Em um vestiário masculino, por sua vez, quem não olhar pro chão ou dispensar mais de alguns poucos segundos ao corpo do outro corre riscos. Se as mulheres mostram estrias novas no peito para suas amigas, um homem hétero é praticamente incapaz de mostrar o pênis para um amigo, a fim de que ele opine sobre uma ferida, por exemplo. Se as mulheres não vêem razão para se diminuírem depois de examinadas por um ginecologista, idas de um homem hétero a um urologista já despertam comentários jocosos ¿ e que dirá um exame de toque retal, tão invasivo quanto um papanicolau, mas bem mais "atacado" do que este último?
Talvez por isso seja possível dizer que, com certa margem de segurança e descontando aqueles que carecem de informações básicas, mulheres de qualquer orientação e gays, em média, cuidam mais de seu corpo e têm maior conhecimento sobre ele do que os homens héteros, salvo algumas maravilhosas exceções.
É uma pena que esses homens, presos em sua própria masculinidade e tão seguros de si na ponta da pirâmide sócio-sexual, não percebam os males que a negação de seu próprio corpo lhes causa. As brincadeiras porque um gay elogiou a beleza de um deles ou porque um amigo deu uma reboladinha "supeita" são apenas um sintoma. Sinal de que algo, no fundo, não vai bem na sexualidade - mesmo que não se perceba. Talvez seja correto, afinal, dizer que os homens héteros também precisam romper com esse estado de coisas. Precisam sair do armário.
Publicado por Panthro Samah em 3:15 PM
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Quinta-feira, Junho 09, 2005
Eu queria que o nome da minha filha fosse Creugisllaynne Shéron da Silva
Tente você também!
Publicado por Panthro Samah em 1:45 AM
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Segunda-feira, Junho 06, 2005
Estou me sentindo o maior dos filhos da puta do mundo
Às vezes não é simples escolher o caminho mais correto. Às vezes a gente acaba machucando quem nos é mais caro. E quando se faz alguma coisa errada e se sabe que é errada, não há como reparar os danos. O melhor que eu pude fazer foi tentar parar enquanto já era tarde demais. Espero que ele entenda, mas sei que isso não vai adiantar nada. Sei que nada vai tornar tudo isso mais fácil. E sei que às vezes a pior coisa da vida é não conseguir mentir pra si mesmo que está tudo bem e dizer que tudo vai ficar bem parece um futuro longínquo demais. Mas eu realmente não sei como poderia deixar as coisas melhores e se for me deixar levar pelo instinto, eu vou piorar tudo cada vez mais. Acho mesmo que tem alguém na minha cabeça sabotando o que eu faço, sei lá. Eu só quero que vc saiba que eu trocaria de lugar com você se fosse possível sem piscar os olhos. O pior de tudo isso é saber que eu estou magoando alguém que eu gosto tanto. Eu realmente sinto muito.
Não sou eu quem está sabotando aí! A culpa é toda do Panthro. Ele fica tentando empurrar a responsabilidade pra mim só porque não tem bolas de encarar que ele é um filho-da-puta mesmo.
Publicado por Panthro Samah em 6:35 PM
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Sábado, Junho 04, 2005
Conversa de MSN entre eu e o James:
Eu não apareço nesse post!
Panthro diz:
Mas não é etsranho? Tipo, eu NUNCA fui vítima de preconceito na USP. Na verdade, em lugar nenhum. E SEMPRE brigo contra o preconceito. E os caras que são vítimas não movem a bunda. Vai entender...
James diz:
Mas parece lógico - É fácil bater em cachorro morto, ué!
Panthro diz:
Pois é. Então não é muito mais esperto parar de ser bunda mole?
James diz:
Não funciona assim, Tiago, vc sabe disso. Nem todo mundo tem (ou aprende a ter) essa sua atitude "olha-como-eu-sou-mau-e-vou-passar-o-rodo-em-qualquer-filho-da-puta-que-que-olhar-torto". As pessoas simplesmente não são criadas assim, quando são gays.
Panthro diz:
É? Por que? E olha a minha foto (ver abaixo), eu não sou tão mau assim
James diz:
Ahahahaahhahahaah!!! Vc entendeu o que eu quis dizer...
Panthro diz:
Tá. Mas porque as pessoas são criadas aqui pra serem acomodadas?
James diz:
Nao é que elas sejam criadas pra serem acomodadas (muitas são, mas não é esse o meu ponto). Elas são criadas pra acharem que ser gay é muito, MUITO pior que qualquer crime ou defeito que possam ter, e quebrar esse condicionamento é difícil.
Panthro diz:
Tá, eu também fui criado desse jeito. E também fui criado pra um monte de coisa. Mas eu não tenho dez anos, não sou um molequinho. Não entendo como as pessoas podem continuar pensando como se fossem
James diz:
Entende sim, que o senhor é um cara muito inteligente...rs
Panthro diz:
Não, não entendo. Tipo, são idéias que não fazem sentido, que lhes fazem mal... Qual a razão pras pessoas se apegarem a elas?
James diz:
Um monte: Segurança, comodidade, medo, familiaridade...
Panthro diz:
Segurança de ficar se negando todo o tempo? Comodidade de se sentir culpado por tudo que faz? Medo de ser feliz? Familiaridade com a desgraça? Esse povo é estranho...
Publicado por Panthro Samah em 3:52 AM
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