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Quarta-feira, Abril 20, 2005
Razão e Sensibilidade
Ultimamente tenho andado muito aborrecido. Muito aborrecido mesmo. As razões são um tanto complicadas, mas vou tentar explicar:
Acontece que eu tenho a fama de ser briguento, rebelde sem causa, grosseiro, insensível, revoltado. E eu já estou cansado disso. Sim, sou rebelde, não aeito autoridades vazias. Mas não sem causa. E passo muito longe da insensibilidade. Se eu brigo, se eu bato boca, se eu inquiro e jogo as pessoas na parede, de encontro a tudo que elas não gostariam de ver é justamente porque eu me importo, porque eu sou sensível. Não dessa sensibilidade ignominiosa dos que em vez de se matarem fazem poemas, pra citar um dos meus preferidos, mas da própria definição de sensibilidade: Eu me ponho no lugar dos outros.
Quando eu quebro o pau num lugar por ter sido discriminado e reclamo de quem vive no armário, não é por mim. Eu estou muito bem e feliz com a minha sexualidade. É por todos os pirralhos que vão comer o pão que o diabo amassou com a bunda pra poder chegar no nível zen que eu cheguei. Vão pensar em suicídio dezenas de vezes como eu pensei e ter medo de ser despejado como eu tive.
Quando eu brigo porque um imbecil bêbado quebrou o som da festa, não é por mim, porque o som nem era meu. Mas era porque se alguém tem o desprendimento de emprestar um aparelho pra fazer a alegria de várias pessoas essa atitude deve ser louvada e a pessoa não deve arcar com um prejuízo desses. Não tenho como achar isso normal. Não tenho como achar normal os alunos da Universidade de São Paulo, tão cheia de si, roubem e mintam e achem que tudo isso é normal quando é com eles mas que é horrível quando é com os outros. Não suporto a hipocrisia.
Não aguento quando uma chefe boçal pisa em todos os seus funcionários e eles não têm a capacidade de se unir e reclamar e aceitam tudo com a passividade de vacas de presépio. E mesmo achando-os uns fracos covardes, lá vou eu carregar a bandeira e me lançar contra o inimigo. Não por mim, mas por todos. Na verdade, nem por ninguém, só porque é errado. Isso me parece tão óbvio, essa necessidade de se levantar contra algo que é errado, de não ficar calado, que eu não consigo conceber como as pessoas podem ser tão grosseiras, estúpidas e tapadas a ponto de não perceber que elas, ao se calarem que estão sendo insensíveis. E que ao me colocarem sob o rótulo de agressivo, estão sendo agressivas mais uma vez.
Eu pensei nisso mais uma vez ontem, quando assisti o filme X-Men 2 de novo. É um filme genial, cheio de sacadas inteligentes, mas como as pessoas são muito sensíveis, só vêem um filme de ação. Sensível é cinema iraniano, que ninguém entende, mas está na moda das gentes sensíveis, então elas podem sair do cinema comovidas com um garoto que perdeu o sapato e passar por dezenas de garotos que perderam todo o resto no caminho de casa ignorando-os, perdidas na sua própria fragilidade emocional. Muito sensível, não?
Mas eu estou sendo digressivo, como sempre. A frase que eu estava me referindo era num diálogo entre a Mística e o Noturno. Ele diz que ouviu que ela podia copiar a aparência de qualquer um, até mesmo a voz. E ele pergunta porque ela então não assume uma aparência normal, finge não ser mutante. E ela diz que ela não deveria precisar fazer isso. Essa é a questão. É errado baixar a cabeça e ceder a algo errado, mesmo podendo. É errado fingir que não é gay pra doar sangue. É errado porque você não deveria ter que fazer isso. É errado aguentar ser chamado de incompetente no trabalho e achar que chefe é assim mesmo, porque não tem que ser. É errado viver com medo de "dar mole", porque você roubo é errado e ser mais fácil ou mais difícil não valida o roubo.
Claro que pensar desse jeito me torna uma pessoa bem briguenta: Existe muita coisa errada por aí. Claro também que eu poderia baixar a cabeça e simplesmente fingir que não é comigo. Mas eu não consigo fazer de conta que não existe gente que está numa situação pior do que eu e que não pode só ignorar. E eu sou sensível demais pra ignorá-las.
Publicado por Panthro Samah em 9:43 AM
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Terça-feira, Abril 12, 2005
Viva a Noite: do Trem ao Balão!
Sexta-feira, no CRUSP, a partir das onze vai ter festa com o melhor e o pior dos anos 80: atari, música, boneca barbie assassina, bala soft, caderninho de recados, cerveja... A entrada é de graça e a cerveja, um real. Quem faltar, vai perder a maior balada do semestre.
Publicado por Panthro Samah em 5:16 PM
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Domingo, Abril 03, 2005
Alguém tem que ceder
Quando você está se relacionando com outra pessoa, sempre vão existir diferenças. E quando essas diferenças surgem, é inevitável que aconteçam atritos. Aí, quanto menos você está comprometido, mais caro se torna cada coisa que você cede. Mas mesmo que você goste muito, existem coisas que são tão importantes, tão centrais na sua personalidade, que abandoná-las é meio que se perder. É como se anular, se matar e é extremamente difícil se ceder nesses pontos. Pra mim, em especial. Existe tanta gente na minha cabeça que mudar alguma coisa que eu considere central na minha personalidade me dá sempre muito medo de não me encontrar mais, perder meus referenciais.
Você não tem referenciais próprios, Panthro. Você faz eleições. Por isso que eu deveria controlar as coisas aqui. Pelo menos eu tenho posições bem marcadas sobre as coisas.
Não interrompe, Voice, é sério. Então. Tudo isso foi só pra dizer que quando você está disposto a ceder coisas extremamente importantes, que você não cederia pra nenhuma outra pessoa e descobre que não vai nem precisar, porque a pessoa estaria disposta a ceder o mesmo tanto ou mais por você... bom, não existe nenhuma sensação melhor que essa no mundo.
Tá namorando! Tá namorando!
Isso já cansou, né Voice? Arruma outra riminha infantil pra me zoar. Ou maturidade o que te custar menos.
Oh, como estamos maduros! Vai ficar todo sensivelzinho só porque eu achei que isso que você falou é um monte de merda? Para de ser menininha, rapaz, vira homem! Daqui a pouco você vai estar colhendo margaridas nos campos com cestinhas de vime. Só a imagem já me faz vomitar!
Ahsifudê, Voice! Você é mal-amado pra caralho e quer que todo mundo fique amargo que nem você! Seu cinismo é engraçadinho às vezes, mas já deu no saco, tá bom? Se continuar assim eu não deixo mais você postar no blog.
Até parece... Eu faço outro pra mim! Ou você não lembra como esse aqui começou, seu posseiro de blogs?
Então vai lá. Mas não me enche o saco. Não quero mais papo com você.
Publicado por Panthro Samah em 1:46 PM
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Fins
Como eu deixei as duas histórias compridas sem fim, vou explicar em que pé estão as coisas agora. Porque pra acabar mesmo, só quando eu morrer:
1 - O Lippe, meu advogado, está escrevendo um tipo de carta que vai dar início ao processo. Eu não sei nada sobre o assunto, mas ele me disse que eles infringiram o Código do Consumidor quatro vezes. Assim que a carta for publicada, a gente pode marcar a sessão com o juiz pra fazer um acordo. Se eles não toparem, rola sem acordo mesmo. E vai ser pelo Tribunal de Pequenas Causas, então é rápido. Em seis meses mais ou menos eu já peguei o dinheiro.
2 - O Juarez ainda não pagou o Denis porque não tem dinheiro. Assim que ele pagar (e ele vai fazer questão que o recibo seja reconhecido em cartório), ele vai ligar pra imobiliária e processar o Denis. Mas isso só deve acontecer por volta do dia 15 de abril.
Publicado por Panthro Samah em 1:01 PM
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Sexta-feira, Abril 01, 2005
Quanto a mudança, o que aconteceu foi mais ou menos o seguinte:
Mais ou menos uns dois anos atrás eu morava numa pensão. Só que a dona do lugar desistiu de continuar com a pensão porque um dos moradores ficou louco e tentou estuprar ela (uma história bizarra que eu conto outro dia). Aí, eu, o Denis e o Juarez que morávamos lá, fomos procurar outro lugar. Acabamos montando uma república e tal.
Como o Denis era o único que tinha renda e fiador, o contrato ficou no nome dele. Foi um período difícil, todo mundo estava mal de grana e não tínhamos quase nenhum móvel. Felizmente, o vovô me deu um fogão e uma geladeira, o que nos ajudou um bocado.
Mais ou menos um ano depois, o Denis perdeu o emprego. Na verdade, ele deu um ultimato pro patrão: ou recebia um aumento ou se demitia. O patrão escolheu a segunda opção. Como ele não ia poder pagar o aluguel, colocou uma outra pessoa na república para pagar por ele. E ficou lá como hóspede e ficaria responsável pela faxina. Ele que propôs tudo isso e nós aceitamos. Afinal, é ruim quando alguém perde o emprego e queríamos dar uma força pra ele. Então ficamos pagando o aluguel, luz, água e telefone dele. Chegamos até a pagar as ligações que ele fazia pro celular da namorada.
Até aí, beleza. Mas as coisas começaram a se acumular. Primeiro que ele não limpava a casa. Todos os fins de semana arrumava alguma coisa diferente: Ou saía com a namorada ou a levava pra casa ou ia visitar o filho ou etc. Além disso, cagava regra em cima da gente o tempo todo, como sempre tinha feito. Arrumou um emprego temporário e não usou o dinheiro pra pagar nada dentro de casa. Negou outros empregos "porque não estavam a sua altura". Chegou a um ponto que eu não aguentava mais. E quando ele jogou um chinelo na minha gata, eu fiquei puto. Briguei com ele e ele me falou um monte. No dia seguinte, eu disse que não tinha gostado do que ele tinha dito e que daquele momento em diante, ele não era mais meu hóspede e eu não ia pagar mais nada pra ele. E comecei a procurar um novo lugar pra morar, já que não queria mais viver com ele.
Acontece que como eu disse anteriormente, o vovô tinha me dado o fogão e a geladeira. Somados ao computador e à máquina de lavar que minha mãe tinha me dado, isso perfazia uns 80% dos eletrodomésticos da casa. Se eu saísse, além de perderem um membro pagante, os outros membros da república iam perder todos os eletrodomésticos. Resultado: Mandaram o Denis embora. Ele demorou mais ou menos um mês pra ir e nesse intervalo eu ainda paguei as contas dele, inclusive o aluguel. Afinal, ele já estava indo embora mesmo e eu não gosto de chutar cachorro morto.
Morto? Não, só dormindo. Acontece que cerca de um ano depois, ele conseguiu um emprego num museu aí. E aí, ligou pra gente dizendo pra gente sair da casa, que era dele. E mais que isso: Voltou a dormir em casa, falou um monte para o Juarez e para os novos membros da casa, a ponto de um deles resolver abandonar a república. E eu e o Juarez começamos a correr atrás de lugar.
Só que eu não tenho quatro planetas e o ascendente em Escorpião à toa. Eu não presto. Então começamos a tramar nossa vingança naquele mesmo dia. Ele nos mandou sair dia 14? Ótimo. Dia quinze era o pagamento do aluguel (porque a gente tinha mudado, antes era dez). Ninguém pagou. Não pagamos tampouco nenhuma das contas. Começamos a usar a churrasqueira elétrica até pra ferver água. E mudamos sem aviso, deixando uma montanha de lixo pra trás.
Ele depois quis vir cobrar o aluguel que não pagamos. Não falou nada comigo, porque sabe que vai ouvir um monte se fizer isso. Também não foi falar com o Juarez, porque não tem bola. Então ele ligou pro pai do Juarez pra reclamar. O pai do Juarez exigiu que o Juarez pagasse o que devia. Como o Juarez também não é idiota, ele vai exigir um recibo do Denis e depois ligar pra corretora, mostrando que ele estava sublocando a casa. Aí ele vai ter que pagar 1800 reais de multa pra deixar de ser um otário mal-agradecido.
Eu ainda acho que uma bala .40 entre as sobrancelhas resolvia o problema. Eu não acredito em reencarnação mesmo...
Publicado por Panthro Samah em 2:38 AM
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